Anos 80

O que seria de nós se não tivéssemos o Rock anos 80 para lavar nossa alma, purificar o nosso sangue e livrar-nos de todo o mal? Amém Anos 80!!!

Letra , Música e Outras Conversas por Leoni ( Trecho Entrevista Renato Russo )

Leoni (ex-Kid Abelha e Heróis da Resistência) em 1995 lançou o livro "Letra, Música e Outras Conversas", onde entrevista e conversa com oito artistas consagrados de sua geração (Renato Russo, Herbert Vianna, Lobão, Frejat, Adriana Calcanhotto, Marina, Samuel Rosa e Nando Reis) sobre o processo de criação dos compositores.

"Postei hoje na minha página do Facebook e no Twitter uma única vez que iria publicar trechos da entrevista do Renato Russo para o Letra, Música e Outras Conversas e perguntei sobre quais composições as pessoas gostariam de saber o que ele havia revelado. Agora, no fim do dia, fui dar uma olhada e 35 canções haviam sido citadas. É impressionante como a obra do Renato continua viva e presente nas vidas das pessoas. E diversos sucessos ficaram de fora dessa listinha!

Vou revelar alguns trechos das mais votadas, Eduardo e Mônica, Tempo Perdido, Faroeste Caboclo, Índios e Metal Contra as Nuvens. Na entrevista ele fala muito mais do que só sobre suas músicas. Fala de política, amizade, sexualidade, educação, cultura, rock’n’roll, sucesso, depressão, drogas, trabalho, dinheiro, adolescência e muito mais. Mas são tantas páginas que é melhor ler no livro."



Vamos à algumas pérolas escolhidas entre as infinitas da entrevista:

Eduardo e Mônica:

“Foi baseada em pessoas que eu conhecia. Não tinha um Eduardo e não tinha uma Mônica, mas existiam várias meninas que eu juntei pra fazer a Mônica e vários garotos que juntei para fazer o Eduardo. Achei interessante essa história de pegar um garoto novinho, todo caretinha, pegando aquelas loucas que ouviam Janis Joplin. Aquela foi um bom trabalho. É até usada como texto de escola como exemplo de narrativa. A entrada da música já define bem os personagens. Enquanto o Eduardo está reclamando que ele tem que acordar para ir para o colégio, a Mônica ainda está no bar tomando conhaque. Essa é das minhas músicas que eu mais gosto.”

Tempo Perdido:

“Jovem é jovem em qualquer lugar do mundo, vai passar exatamente pelas mesmas coisas. Você pode estar numa taba, na Finlândia, na Suécia, mas o que se passa com o seu corpo, as suas preocupações com a sociedade são exatamente as mesmas. Sabe aquela coisa cheia de tesão, de não saber onde vai namorar direito, de experimentar coisas proibidas, das festas, da primeira vez que pega um carro.
Nas letras a gente procurava falar disso, mas sempre abrindo um pouco mais. Ao invés de fazer observações como o Ultraje fazia, ou mesmo vocês que eram mais específicos, em "Conspiração Internacional" – você fala de abrir o armário, de ler a revista, de entrar na fila -, a gente ia para um outro lado, pegava essa situação e colocava assim: "A tempestade que chega é da cor dos seus olhos castanhos".

“Gosto de pegar certas frases, não só o desenho musical das frases, e mudar de lugar. Uma coisa que entra no refrão, daqui a pouco entra no meio do verso. Ou no fim da música repito a mesma frase só que de outro jeito. "Tempo Perdido" é exatamente a mesma coisa do começo ao fim, mas a melodia muda o tempo todo. É uma forma de trabalhar inspirada em bandas pós punk: Public Image, Gang of Four, Echo & the Bunnymen. Como fazer com uma técnica limitada algo que chame a atenção e que tenha mais valor.”

“No final de "Tempo Perdido" tem uma vinheta só de violão, voltando com a música por um minuto e meio. A gente pensou em usar um outro nome para a vinheta, mas era "Tempo Perdido" mesmo e ficou assim.”

Faroeste Caboclo:

“"Faroeste Caboclo" escrevi em duas tardes sem mudar uma vírgula. Foi: "Não tinha medo o tal João do Santo Cristo..." e foi embora.

Leoni- Você não imaginou os personagens antes?

Renato- Não. Eram coisas que mesmo sem querer, sem perceber, já vinha trabalhando há muito tempo e na hora que vai escrever vem direto. Eu sei porque foi fácil. Ela tem um ritmo muito fácil na língua portuguesa. É em cima da divisão do improviso do repente.

Leoni- O enredo também foi improvisado? Você saiu escrevendo e as ideias foram vindo?

Renato- As coisas foram aparecendo por causa de rima. Se eu falo do professor, ele tem que parar em Salvador. Se fosse outra rima ele ia parar em outro lugar. Basicamente já sabia que tipo de história ia ser. É aquela mitologia do herói, James Dean, rebelde sem causa.

Leoni- Parece um conto adaptado.

Renato- Mas se prestar atenção tem um montão de falhas. Como é cantado as pessoas não percebem. Uma vez, o pessoal da R. Farias queria fazer um filme. Foi quando deu pra perceber como tem furo na história. Parece que faz sentido, mas por que cargas d'água esse homem encontra esse boiadeiro em Salvador? Que história é essa de trocar, "eu fico aqui, você vai pra Brasília"? Por causa da filha? Porque Maria Lúcia fica com o Jeremias? Não dá pra entender! Você tem que bolar sua própria história. O máximo a que cheguei é que ela era uma viciadona e o Jeremias era tão mal que disse: "Se você não casar comigo vou matar o João". Mas também não justifica. E o Santo Cristo é um banana? A menina apaixonada por ele e ele fica andando com o Pablo pra cima e pra baixo. Ele é gay? Tem uma porção de coisas na história que não batem, mas quando a gente ouve no rádio funciona muito bem.
Uma que funciona muito melhor é "Eduardo e Mônica". Essa faz bastante sentido.”

Índios:

“"Indios" foi feita lá (no estúdio). Inventei aquele tema (canta o tema do teclado), o resto da música e foi a última letra que escrevi. O disco já estava virtualmente pra sair e no último dia pensei: "Saco, agora eu vou ter que escrever essa letra!" Veio aquela letra toda de uma vez.”

“Músicas muito mântricas como "Indios"dão uma liberdade muito grande pra escrever a letra. Mas se tiver que mudar (a melodia) eu mudo. Essa tinha o "Quem me dera ao menos uma vez" sempre, mas depois muda. Mas mesmo quando muda muito, cada música tem uma lógica interna.”

“Em "Indios" eu queria fazer uma brincadeira em cima da Xuxa. Era pra ser tipo um Clube da Criança junkie. Falar a coisa mais séria do mundo do jeito mais banal: (canta com voz de paquita) "Estamos cantando, sorrindo e brincando". A música começa como se fosse uma criança falando, não sei se você percebeu isso: (canta com voz de criança) "Quem me dera ao menos uma vez / ter de volta todo o ouro que entreguei a quem / conseguiu me convencer que era prova de amizade". Meio Mara Maravilha ou Menudo.”

Metal Contra as Nuvens:

Leoni- O que me incomoda no "V" é que parece um disco progressivo. "Metal contra as nuvens" tem mais de 11 minutos, "A Montanha Mágica" tem mais de 7, "Vento no Litoral" tem mais de 6 e não são as únicas.
Renato- Mas isso foi de propósito. Porque o "Quatro Estações" foi o disco com o formato mais pop de todos e se a gente fizesse isso outra vez ia ter que ficar se repetindo o resto da vida. A gente decidiu fazer um disco completamente lento porque, pelo que estava acontecendo na nossa vida, com o Collor, a gente não estava conseguindo fazer músicas pra cima. "Metal contra as nuvens" poderia ser uma música de 3 minutos mas na hora de montar, em vez de repetir uma vez a parte, a gente repetiu 4. "Agora tem o verso, e agora?" "Vamos repetir aquela parte de novo 4 vezes". Isso tem a ver com drogas, tranquilizantes, barbitúricos, Valium, heroína, que te deixam len-to e ar-ras-ta-do. Era um comentário musical em cima disso. Não muito a sério. E continha uma grande decepção em relação ao sucesso.”

Fonte: www.leoni.art.br

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